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sexta-feira, 27 de abril de 2012, 11h11

Notícias IBA

Vitória no algodão ainda incompleta

Os produtores brasileiros de algodão começam a definir na próxima semana a aplicação dos recursos transferidos pelos Estados Unidos para compensar as perdas locais com subsídios ilegais. Os primeiros repasses, de US$ 30 milhões e US$ 95 milhões, já foram depositados em 2010 e deverão servir ao reforço da competitividade do produto. O Instituto Brasileiro […]

Os produtores brasileiros de algodão começam a definir na próxima semana a aplicação dos recursos transferidos pelos Estados Unidos para compensar as perdas locais com subsídios ilegais. Os primeiros repasses, de US$ 30 milhões e US$ 95 milhões, já foram depositados em 2010 e deverão servir ao reforço da competitividade do produto. O Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) discute com as associações estaduais de cotonicultores o plano estratégico do órgão privado criado em função da histórica vitória do país no contencioso aberto há oito anos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Haroldo Rodrigues da Cunha, presidente do IBA, informa que as linhas mestras do plano estão estruturadas, seguindo as bases do acordo Brasil-EUA. As prioridades são investimentos em sustentabilidade ambiental, treinamento de mão de obra, difusão de tecnologias, promoção do uso do algodão em geral e a cooperação com países africanos. Pelo acerto feito entre os dois países, o chamado fundo compensatório receberia US$ 12,3 milhões mensais. Ao fim de dois anos — período em que a diplomacia brasileira se compromete a manter suspensa a retaliação autorizada pela OMC —, os produtores terão recebido US$ 294,6 milhões.

A Fundação Dom Cabral (FDC) foi contratada para auxiliar na elaboração do planejamento do IBA, assim como assessorar na estruturação da governança e da controladoria do instituto, acrescenta Cunha, que é ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). "Além de ser uma exigência dos americanos, estamos comprometidos com o setor privado para garantir a mais eficiente e transparente aplicação do dinheiro", disse.

Casa Branca
O IBA vai procurar ainda investir prioritariamente em projetos de infraestrutura, para melhorar o escoamento da produção — metade concentrada em Mato Grosso —, além de combater pragas, como o inseto bicudo, que assola o setor desde os anos 1980.

A compensação pelos bilionários subsídios ilegais concedidos a produtores americanos de algodão foi a forma que a Casa Branca conseguiu para evitar a adoção de medidas drásticas pelo Brasil, autorizadas pela OMC. O descumprimento do acordo pelos EUA pode levar o Itamaraty a solicitar quebra de patentes, como medicamentos e licenciamentos da indústria do entretenimento. "Isso abriria um precedente considerado grave pelos americanos, por representar sua maior fonte de riqueza na atualidade", comentou o presidente do IBA.

O deputado americano Ron Kind, do Partido Democrata, prometeu retirar do orçamento federal o que considerou "subsídio aos produtores de algodão brasileiros". Criado para gerir a aplicação dos recursos, o IBA tem a perspectiva de receber US$ 147,3 milhões anuais até 2013.

Cunha lembra que a realidade do setor no Brasil mudou radicalmente nos últimos anos, dando espaço para uma atividade cada vez mais empresarial e profissionalizada. Até os anos 1980, o Ceará respondia pela maior área de produção, com 1,5 milhão dos 4 milhões de hectares plantados. Em 10 anos, a expectativa é de uma virada ainda mais expressiva, puxada pela produtividade na Região do Cerrado.(SR)

Boa notícia
O Brasil vai colher a partir de maio a sua maior safra de algodão, estimada em 1,9 milhão de toneladas. A boa notícia reflete ganhos de produtividade e aumento de área plantada impulsionada pelo preço internacional da commodity, que também é recorde. A libra-peso do algodão em pluma está cotada atualmente em US$ 2,30, ante uma média histórica, até o ano passado, de US$ 0,65.

 

Fonte: Correio Braziliense