Voltar

quarta-feira, 4 de setembro de 2019, 1h25

Notícias IBA

Missão: dar um basta no bicudo

Projeto de pesquisa financiado pelo IBA prevê uso de plataforma de algodão transgênico resistente à praga

O bicudo do algodoeiro surgiu no Brasil há mais de 30 anos. De 1983 a 1993, o inseto exterminou uma parte considerável das lavouras de algodão do país, que totalizavam 3,5 milhões de hectares. Eliminá-lo da produção de algodão é tarefa rotineira e prioritária entre os produtores. Pesquisadores, por sua vez, têm se debruçado em encontrar formas mais eficientes para controlar o problema. Devido à sua importância e impacto na cotonicultura, o assunto entrou na pauta do 12º Congresso Brasileiro do Algodão, em Goiânia. No primeiro dia do evento foi apresentado um estudo a respeito das variedades resistentes à praga.

O bicudo é uma ameaça às lavouras de algodão do país, pois pode causar perdas de 75\% a 100\% na produção, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Ainda de acordo com a entidade, o produtor gasta de R$ 350 a R$ 750 por hectare com estratégias para a eliminação do inseto, o que equivale entre 6\% e 10\% do custo total de produção, estimado em R$ 7,5 mil por hectare. Logo, a principal iniciativa do setor – a fim de evitar um estrago na cotonicultura – é investir no controle.

E isso já é aplicado em um projeto da Abrapa, que é a Plataforma de Desenvolvimento de Algodoeiro Transgênico Resistente ao Bicudo, com financiamento do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA), desenvolvido por meio de um trabalho colaborativo entre as principais instituições de pesquisa e difusão tecnológica brasileiras que trabalham com a cultura do algodoeiro: o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMAmt) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A iniciativa conta ainda com a colaboração de universidades americanas, Mississipi States University e Texas Tech University.

O projeto começou em 2017, mas, devido à sua complexidade, tem data prevista para término em 2022. Nele, a utilização de tecnologias com alta performance de controle de pragas, como a transgenia, tem sido testada. Como ainda não existe evento para o controle do bicudo, sua finalidade é, justamente, a estruturação de uma plataforma de pesquisa com foco na geração de eventos transgênicos de algodoeiro resistentes ao bicudo.

O fato é que o cultivo de algodão no Brasil demanda um controle intensivo de plantas daninhas, doenças e pragas. Portanto, ao final do projeto, espera-se obter os seguintes resultados:

– O desenvolvimento de alternativas eficientes para o controle do bicudo por meio de eventos biotecnológicos.

– A produção de ativos biotecnológicos inéditos, os quais possibilitarão o desenvolvimento de versões futuras de eventos transgênicos ainda mais eficientes;

– Consequentemente, a continuidade de um programa de controle do bicudo com alta eficácia.