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quinta-feira, 20 de junho de 2013, 5h41

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Itamaraty pode se reunir com ABRAPA para discutir contencioso do algodão

Depois de protagonizarem um dos mais longos contenciosos da história da Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa dos subsídios dados aos cotonicultores norte-americanos, Brasil e Estados Unidos se sentaram à mesa mais uma vez para negociar e decidiram pelo fim da disputa sobre o algodão no órgão internacional. O acordo foi firmado entre as […]

Depois de protagonizarem um dos mais longos contenciosos da história da Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa dos subsídios dados aos cotonicultores norte-americanos, Brasil e Estados Unidos se sentaram à mesa mais uma vez para negociar e decidiram pelo fim da disputa sobre o algodão no órgão internacional.

O acordo foi firmado entre as partes sem a consulta dos governos de ambos os lados, notificados após a conclusão das reuniões. Em nota, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) afirmou que os dois países já foram comunicados sobre as negociações e "das recomendações que sugerem uma compensação financeira por parte do governo dos EUA, entre outras medidas". O assunto está sendo tratado diretamente pelo Itamaraty, que, segundo fontes, deverá realizar uma reunião com a Abrapa nesta quarta-feira (19), em Brasília.Procurado, Gilson Pinesso, presidente da entidade, preferiu só se pronunciar após o encontro.

Em nota, o Itamaraty afirmou que "considera a aproximação entre as duas associações positiva". Mas ressalta que a viabilidade das sugestões efetuadas por ambas, tanto do viés prático como do jurídico, ainda está sendo avaliada pelo governo, especialmente no que se refere ao "pagamento pelo governo norte-americano de uma compensação financeira adicional".

O documento ressalta ainda que qualquer decisão a respeito do contencioso dependerá de uma avaliação mais detalhada sobre sobre os impactos dos programas da nova Farm Bill e também de um "acordo satisfatório" sobre o programa de garantia de créditos à exportação GSM-102, "um dos aspectos centrais do contencioso, mas que não foi contemplado nas discussões entre as duas associações".

Na opinião de Pedro de Camargo Neto, ex-secretário do Ministério da Agricultura e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), "foi um equívoco negociarem de maneira independente, sem a participação dos governos".

A reunião entre os produtores contou com representantes da Abrapa e com integrantes do National Cotton Council (NCC). A condição exigida pelos cotonicultores brasileiros para retirar o processo, aberto em 2002, é de que haja o pagamento de uma indenização aos setor, vinculado ao comprometimento dos Estados Unidos de promover uma redução gradativa nos subsídios concedidos a seus cotonicultores por meio da Farm Bill.

Entenda o caso

Em 2005, quando o Brasil ganhou a disputa, os Estados Unidos se comprometeram a pagar US$ 830 milhões aos produtores brasileiros. Desde 2010, já foram depositados US$ 420 milhões, dinheiro que vem sendo utilizado pelo Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) para o fomento da produção, capacitação de profissionais e melhora do manejo.
Segundo a nota divulgada pela associação, "a expectativa das duas instituições é de que os governos atendam às recomendações e que incorporem as necessárias mudanças na nova legislação agrícola a ser aprovada pelo governo americano".

O comunicado segue afirmando que ambas as entidades "reconhecem que a questão do contencioso envolve vários outros aspectos que estão sendo avaliados pelo governo brasileiro e o esforço de ambas deve ser entendido como uma contribuição na busca de uma alternativa possível".

A negociação entre Abrapa e NCC acontece em um momento em que o cenário internacional para o algodão segue indefinido. Isso porque nas últimas safras, a produção mundial da fibra caiu, passando de 27,79 milhões de toneladas na safra 2011/12, para 25,09 milhões de toneladas previstas para a safra 2013/14, segundo dados do International Cotton Advisory Committee (ICAC). Isso se deve não só aos baixos preços do produto no mercado e às secas que afetaram algumas lavouras, mas também à forte concorrência das fibras sintéticas, mais baratas.

Mesmo assim, o consumo da fibra natural deverá crescer. Segundo previsão do ICAC, a demanda na safra 2013/14 deverá ficar na casa dos 24,3 milhões de toneladas, ante 22,1 milhões de toneladas da temporada 2011/12.
Brasil ganha destaque no cenário internacional

O crescimento da produtividade do agronegócio brasileiro, somado ao aumento das exportações de produtos como soja, algodão, carnes bovinas, suína e de aves, vem contribuindo para o maior destaque do Brasil no mercado internacional.

Além disso, a posição do país como líder do Mercosul e importante personagem quando se trata de questões diplomáticas já rendeu bons frutos. O primeiro deles foi a nomeação de José Graziano como presidente da FAO/ONU; depois, Roberto Azevedo como diretor-geral da OMC. Na semana passada, José Sette, até então diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), foi escolhido o novo diretor-executivo do ICAC.

Fonte: Sou Agro
Leia mais em: http://brasilagro.wordpress.com/2013/06/20/itamaraty-pode-se-reunir-com-abrapa-para-discutir-contencioso-do-algodao/

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